“Será que as asas são apenas para os pássaros?”, Clarisse sempre se perguntou isso, em sua cabecinha de menina, quando crescesse, nela nasceriam asas e poderia voar como todos aqueles animaizinhos que sempre via na casa de seus avós.
Um dia sua avó estava sentada em sua cadeira de balanço, e olhando para aquele céu ensolarado, Clarisse perguntou: “Vovó, quando eu for maior poderei voar como aquele belo passarinho?”
Sua avó olhou para aquele casal de Rouxinol, que acabara de fazer um ninho em uma das arvores do quintal, após pensar um pouco respondeu:
_Um dia, minha querida neta, você será bem maior do que é agora, seus interesses serão diferentes, talvez nem venha se encantar pela beleza dos pequenos detalhes da vida, contudo você conhecerá a liberdade, entenderá os conceitos de uma sociedade, e a partir daí poderá voar, voará por caminhos que muitas vezes serão difíceis em sua vida, mas sempre haverá um aprendizado. Seus sonhos serão suas asas, eles te darão o poder de voar, pois são como um pequeno mapa que a levará aos tão almejados caminhos da vida.
Clarisse olhou para sua avó, com olhos pueris, e disse-lhe: “Vozinha, só espero que minhas asas sejam tão grandes como as suas, para que quando tiver sua idade, seja tão sábia como você”.
A avó sorriu docemente e agradeceu o gracejo da neta. As duas voltaram a observar o ninho, que no momento estava vazio, e, num ato de pura cumplicidade e comunhão, partilharam bons pedaço de bolo de cenoura, sabendo que a arte de voar se inicia com a percepção dos pequenos detalhes da vida.


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